11.30.2007

Com as malas cheias - de saudade

Cada um de nós trouxe uma lembrança única do Paraguai. Que nem a saudade de casa, ou da terra natal, apagaram quando desembarcamos na rodoviária do Tietê. A maioria, aliás, voltou de mãos vazias, pois, entre acasos de coincidências, privilegiamos o trabalho. É sério (que meninos aplicados, não?). Cada discussão, cada passeio, cada piada, porém, valeu a pena. A viagem, de fato, continua muito viva em nossa memória.

Como esquecer, por exemplo, a tarde em que, quando voltávamos para o hotel depois de uma visita empolgante à outlet da Puma, o Átila (na foto à direita, de branco) resolveu 'pescar' em pleno ônibus? Ou das vezes (umas duas, pelo menos) em que, no hotel, trancamos a porta do quarto com a chave dentro? Vale lembrar - só para o leitor não achar que somos imbecis - que as portas de nosso hotel, o agradável Palmas de Sol, não podiam ser abertas pelo lado de fora!

O que falar, então, da partida que, sem querer, descobrimos no bairro da Chacarita? Vimos tudo de longe - a torcida gritando, a bola rolando, tudo - sem nem desconfiarmos de que o jogo, na verdade, valia o título do campeonato juvenil de futebol de Assunção. E pensar que o time visitante, derrotado naquela tarde, tinha se hospedado no mesmo hotel que a gente...

E quem de nós vai se esquecer da Daniela, a bela e simpática vendedora da Praça da Liberadade - um tipo de feira de camelôs a céu aberto? As únicas lembranças materiais da viagem, inclusive, vieram de lá. De chaveiros a potes de tererê (o chimarão paraguaio); de quadros a flâmulas e bandeiras: tudo o que é manufatura o turista acha por lá.

As malas não voltaram cheias de presentes. Mas a saudade não coube na bagagem.

10.29.2007

Eternamente na memória


Sexta-feira, 6 e meia da tarde no Brasil. A aventura rumo ao Paraguai começava.
Estávamos dentro do ônibus que partiria para Assunção. Pela frente, 20 horas de estrada até a capital paraguaia.

No coração, a felicidade de conhecermos o Paraguai, a esperança de passarmos bons momentos por lá, conhecer uma nova cultura, conversar com as pessoas, trazer um pouco da alegria brasileira para os paraguaios.

Na cabeça, algumas dúvidas nos inquietavam. Como seríamos recebidos pelo povo? Será que o Paraguai é uma 25 de Março a céu aberto? O povo teria feições indíginas, como imaginamos? A pobreza é muito grande? Eles gostam dos brasileiros ou não?

Ao passarmos pela fronteira, pensamos que nossos preconceitos seriam confirmados. Ciudad del Este é uma cidadezinha feia, com muito comércio e propagandas para todos os lados. A poluição visual é uma característica marcante desta cidade.

Ao chegarmos em Assunção, no entanto, nossas opiniões mudaram bastante. Em muitos pontos, parece uma cidade do inteiror. As pessoas são muito parecidas com os brasileiros. Apesar da vida sofrida, as pessoas são alegres, sorriem bastante. E elas não têm traços indíginas, como previmos erradamente.

Fomos muito bem recebidos por todos. Eles adoram a alegria dos brasileiros, são fãs do nosso futebol e admiram a beleza das brasileiras. Eles entendem das coisas mesmo...

Mas nem tudo são flores. O contraste social é grande. A maioria dos carros são bem antigos. Para se ter idéia, andamos num táxi fabricado em 1979. Às vezes, passavam uns carros maravilhosos. 90% das pessoas andam em carros antigos; 10%, em verdadeiras máquinas.

E no centro da cidade foi onde encontramos a maior marca da desigualdade. Um monumental Congresso Nacional, todo envidraçado, com escadas de mármore bem polido. Os governantes paraguaios trabalham, realmente, num lugar esplendoroso. Do outro lado da rua, uma grande favela, conhecida como Chacarita, com seus barracos precários, pessoas famintas e sujas, com crianças pedintes, convivendo em triste harmonia.

Mas o lado trise, apesar de existir e não poder ser deixado de lado, é uma parte muito pequena de toda a beleza exótica do local. Cinco dias em Assunção, aventuras que não voltam mais, apenas gravadas em nossas lembranças.